Goencheo Mhonn’neo | Adágios Goeses - XVII
Segue a décima-sétima lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
| Concani | Tradução literal | Tradução livre
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| Sezarealó combó sodanche motto.
Sezarealo kombo sodanch motto.
Reddé, paddé zogortay, zaddanchêr kal. Redde, padde zogoddtai, zaddancher kal.
Ar veta mhunn gãindev votçunk lagló, chirddunn meló. Har veta mhunn gaindoll vochunk laglo, chidd’ddun melo. |
O galo do vizinho
é sempre bem gordinho.
Tendo alguém um objecto nada feio, parece-lhe melhor que o seu, o alheio.
Quando os búfalos e os bois põem-se em briga, às cornadas, as plantas tremem, com medo de ficarem molestadas. Quando há entre os de cima questões ou dissidências, os de baixo é que sofrem pelas suas consequências.
A exemplo da jiboia que passara pela estrada, a minhoca também quis passar, mas morreu pisada.
Quando um remediado imita em tudo um rico, liquida-se, arruinado. |
[1] Cf. décima-sexta lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 41, julho-agosto de 2026, p. 55.
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia dialectal e moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
Publicado na Revista da Casa de Goa, Serie II, No. 42, set-out de 2026, p. 53
Goencheo Mhonn'neo | Adágios Goeses - 14
Segue a décima-quarta lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
| Concani | Tradução literal | Tradução livre
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| Ghârá sarkó soiró, soiryá sarquém ghâr nãy.
Ghora sarko soiro, soirea sarkem ghor nhoi.
Ghârkane guiniann viném, Ghârachém zalém divalém.
Ghorkarn ginean vinnem, Ghorachem zalem divallem.
Bololyá bam’nak dohim corcortá. Bhorlolea bamnnak dhoim khorkhorta.
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O hóspede tem que pôr-se
segundo a estalagem, e não, conforme o hóspede, a casa de hospedagem.
Por não ser a dona assisada, ficou a casa dissipada.
Ao brâmane saciado até à fartura, a coalhada de leite é áspera, dura. Quem é rico e manjares finos tem, olha às coisas vulgares com desdém. |
[1] Cf. décima-terceira lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 38, janeiro-fevereiro de 2026, p. 50.
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
Publicado na Revista da Casa de Goa, Série II, No. 39, março-abril de 2026, p. 67.
Goencheo Mhonn'neo | Adágios Goeses - 13
Segue a décima-terceira lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
| Concani | Tradução literal | Tradução livre
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| Casuló aplê chempêk manvotá.
Kazulo aple chempek manvota.
Errondd vaddolyar patti zatá? Erondd vaddlear patti zata?
Fortunn vetush, dossai vetá. Fortun vetoch, doxa-i veta.
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O pirilampo
se desvanece vendo a cauda que resplandece. Um vaidoso, sendo esbelto, fica com mais presunção, todas as vezes que vê a sua própria feição.
Por pular em crescimento, a purgueira, ela serve p’ra a trave de vigamento?
P’la estatura e corpulência Do homem, não se regula o seu saber e experiência.
Quando a alguém a sorte Não olha e ampara, também a vergonha dele se separa. |
[1] Cf. duo-décima lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 37, novembro-dezembro de 2025, p. 46.
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
Publicado na Revista da Casa de Goa, Série II, No. 38, novembro-dezembro de 2025, p. 50.
Goencheo Mhonn'neo | Adágios Goeses - 12
Segue a duo-décima lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
| Concani | Tradução literal | Tradução livre
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| Vagachyá tonddantuló suttunn, xinvanchyá tonddant poddló.
Vagachea tonddantlo suttun, xinvachea tonddant poddlo.
Ximêr moddém. Ximer moddem.
Ghâr firtokúsh vanché firtat. Ghor firtokuch vanxe firtat.
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Escapando da boca do tigre, livre e são, caiu na de leão.
Salvo do mal menor, foi cair no maior. Colocar o cadáver no limite. (Processo torto; para se não saber a que paróquia pertence o morto.) Não decidir a questão; estar entre dois partidos, perplexo, em vacilação.
Quando, pelo aluimento Se vira uma casa, vira-se também o seu vigamento. Na adversidade, até amigos procedem como os inimigos. |
[1] Cf. um-décima lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 34, maio-junho de 2025, p. 52.
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
Publicado na Revista da Casa de Goa, Serie II, No. 37, Set-Out 2025, p. 46
Goencheo Mhonn'neo - IX | Adágios Goeses - IX
Segue uma nona lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
- Concani | 2. Tradução literal | 3. Tradução livre
1. Xelyá angar bibó. | Xellia angar bibo.
2. Sobre o corpo são,
suco de anacardo
(p’ra causticação).
3. Ter injusto sofrimento
ou pena, sem fundamento.
1. Venttó laslyar, vôll vhossó na. | Vennto laslear voll vochona.
2. Uma corda torcida
estando até queimada,
a sua torcedura
não fica desvincada.
3. Apesar de estar punido,
não fica ele corrigido.
1. Duddú nant taném tarir poiló bossunk zay. | Duddu nant tannem tarir poilo bosunk zai.
2. Numa barca de passagem,
deve meter-se primeiro
quando alguém, para pagar
o nauta, não tem dinheiro.
3. Quem não tiver protecção
deve ir sempre, antes de outros,
fazer sua petição.
[1] Cf. oitava lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 29, julho-agosto de 2024, p. 51.
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
First published in Revista da Casa de Goa, Series II, Sep-Oct 2024, pp __
Goencheo Mhonn’neo - VIII | Adágios Goeses - VIII
Segue uma oitava lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
Concani | Tradução literal | Tradução livre
Unn dudatçó gôntt guilunk nuzó, ani bayrui galunk nuzó. | Hun dudhacho ghontt gillunk nozo, ani bhairui ghalunk nozo.
Um gole de leite quente,
(tomado sem reflectir,)
não se sabe se o deve
deitar fora ou engolir.
Há muitas vezes embaraços
que metem em tal situação,
que não se sabe, no momento,
como sair da entalação.
Variante
Quando alguém é dependente
de dois rivais, em questão,
fica indeciso p’ra dar
Sua franca opinião.
Kaddi báil ghovachi, gori báil povachi.[3] | Kalli bail ghovachi, gori bail povachi.
A mulher preta é
do esposo somente.
mas a mulher clara
é de toda a gente.
A mulher feia é só do homem,
com quem está desposada,
mas sendo a mulher bonita,
é por todos requestada.
-o-o-o-o-
[1] Cf. sétima lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 27, março-abril de 2024, p. 47.
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
[3] ‘Povachi’ = do povo.
(In Revista da Casa de Goa, Serie II, No. 29, Julho-Agosto 2024, p. 51)
Goencheo Mhonn'neo - VII | Adágios Goeses - VII
Segue uma sétima lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
Concani | Tradução literal | Tradução livre
Dhazananchó sangat corsó nãy, ani coroddachyá ujyak chekuchém nãy. | Dha zannacho sangat korcho nhoi, ani koroddachea ujeak chekuchem nhoi.
Não tome todos como amigos,
(pode não dar bom fim,)
como também nunca se aqueça
ao fogo do capim.
Pantçuy bottâm sarquim nãy. | Panchui bottam sarkim nhoi.
Não tem igual dimensão
os cinco dedos da mão.
Toda a personalidade
não tem a mesma habilidade.
Sunyanchi chemp noliyênn ghalyar passunn, sarky zay na.| Suniachi chemp nollien ghalear pasun, sarki zaina.
O rabo de um cão
que é torto, se o ajeita,
pondo-o ainda num tubo,
nunca se endireita.
Torna-se impossível
corrigir quem de índole
é incorrigível.
-o-o-o-
[1] Cf. sexta lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 26, janeiro-fevereiro de 2024, p. 43.
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
(Publicado na Revista da Casa de Goa, Série II, No. 27, março-abril de 2024, p. 47)
Goencheo Mhonn'neo - VI | Adágios Goeses - VI
Segue uma sexta lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
Concani | Tradução literal | Tradução livre*
Sodâm manalém cazar nãy. | Sodam manalem cazar nhoi.
Dia a dia ou semana,
não se realiza
o casamento da mana.
* Não se faz sempre o que se fez,
numa ocasião ou uma vez.
Gibhenn quelém, fattin guêtlém. | Jiben kelem, fattin ghetlem.
Pelo agravo praticado
p’la língua, sofreu o costado.
* Foi outrem o delinquente,
mas sofreu o inocente.
Kon tçôdd uddtá, ecdús tó buddtá. | Konn chodd uddta, ek dis to buddta.
Quem pulando vai,
um dia, enfim, cai.
* O atrevido sofre um dia
p’la sua muita ousadia.
Rag martá apnak, sôntôs martá peleak. | Rag marta apnnak, sontos marta peleak.
A ira mata ou faz mal
Ao próprio encolerizado,
e a al’gria magoa os outros
que invejam o afortunado.
-o-o-o-
[1] Cf. quinta lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 25, novembro-dezembro de 2023, pp. 30-31.
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
(Publicado na Revista da Casa de Goa, Série II, No. 26, janeiro-fevereiro de 2024, p. 43)
Goencheo Mhonn'neo - V | Adágios Goeses - V
Segue uma quinta lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
Concani | Tradução literal | * Tradução livre
Jiuak suk, pottak duk. | Jivak sukh, pottak dukh.
Para a vida, quietação.
Para a barriga, inanição.
* Quem preguiça e não trabalha,
não ganha p’ra a vitualha.
Fonddachy maty fonddak. | Fonddachi mati fonddak.
A terra de uma cova
não chega para mais,
senão à mesma cova.
* Querer alguém aumentar
os bens ou a fruição,
além da capacidade,
é gastar o esforço em vão.
Borém zalyar noureá-ôclêchém, vaitt zalyar, raibareachém. | Borem zalear novrea-voklechem, vaitt zalear, raibareachem.
Se o consórcio for feliz,
deve-se o êxito fagueiro
aos noivos; sendo o contrário,
a culpa é do medianeiro.
Sambhar cabar zalyar, sacaçó vás vhossó na. | Sambar kabar zalear, sakacho vas voch’na.
Embora esteja esvasiado
o saco de condimentos,
ele há-de exalar o cheiro
de temperos e pimentos.
* Um homem embora esteja
hoje pobre, desditoso,
não perde o aprumo que teve
quando rico ou venturoso.
Vaitt chintit tém yetá ghârá, vhossó na xezará. | Vaitt chintit tem ieta ghora, vochona xez’ra.
Quem quer mal a outrem, ele próprio o alcança,
E não sofre nunca a vizinhança.
* O mal que se quere à gente,
sofre-o o próprio malquerente.
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[1] Cf. quarta lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 24, setembro-outubro de 2023, pp. 45-46
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
(Publicado na Revista da Casa de Goa, Serie II, No. 25, nov-dez 2023, pp. __)
Goencheo Mhonn'neo - IV | Adágios Goeses - IV
Segue uma quarta lista de adágios,[1] extraídos do livro Enfiada de Anexins Goeses, obra bilíngue (concani-português), de Roque Bernardo Barreto Miranda (1872-1935)[2].
Tradução literal | Tradução livre
Fôttquiryachém nãy sot, ani pav’sachém nãy vot. | Fottkireachem nhoi sot, ani pavsachem nhoi vot.
Não se deve fiar num homem mentiroso, como na luz do sol, no tempo invernoso.
Donn hoddyen’ar pãyem dovorlyar doriyant poddta. | Don hoddeamni paim dovorlear doriant poddta.
Aquele que firmar os pés sobre dois barcos, mergulha-se no mar.
Quem faz dois negócios opostos
ou claramente incompatíveis,
expõe-se a desastre e desgostos.
Natçunk nenom teká, angonn vankddém. | Nachunk nennom taka angonn vankddem.
A quem não sabe dançar, co’arte e geito,
o terreiro é que está torto, imperfeito.
Sempre um ignorante,
que tem petulância,
lança no outro as culpas
da sua ignorância.
Bhirant assá, punn lâz nam. | Bhirant asa, punn loz na.
Tem medo (que seja punido)
mas não tem vergonha (o atrevido).
Cat mely zalyar, zat melâ na. | Kat mell’li zalear, zat mellna.
Por se tornar a tez escura,
a casta não se desnatura.
A procedência de alguém
não se aquilata p’la cor
da tez que a pessoa tem.
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[1] Cf. terceira lista, Revista da Casa de Goa, Série II, No. 21, março-abril 2023, pp. 59-62
[2] Roque Bernardo Barreto Miranda, Enfiada de Anexins Goeses, dos mais correntes (Goa: Imprensa Nacional, 1931), com acrescentamento dos adágios na grafia moderna, pelo nosso editor associado Óscar de Noronha.
Publicado na Revista da Casa de Goa, Serie II, Set-Out 2023, No. 24, pp. 45-46
